Plus quinze por cento

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Já há anos, Brasil afora, as universidades públicas possuem cotas e benefícios para diversos grupos de pessoas, a fim de inserir esses à margem da universidade na vida acadêmica e, assim, tentar construir uma sociedade melhor, por assim dizer. O resultado disso, como já é senso comum, é péssimo, pois ao favorecer negros, por exemplo, aqueles que possuem maior poder aquisitivo e, logo, maior acesso a informação serão os que terão melhores notas e entrarão na universidade; além daqueles que sempre arranjam um jeito de entrar no sistema de cotas, quando não o merecem.

Pois bem, a UFMG, daqui pertinho da minha casa, que abre as inscrições semana que vem (e o fato do desespero em que me encontro a ponto de escrever isso, deve ser relevado), esse ano foi obrigada a incluir em seu processo seletivo algum modo de favorecimento aos academicamente desfavorecidos. E, diferentemente das outras universidades, as quais adotaram o sistema de cotas sem pesquisar o perfil da sociedade acadêmica, a UFMG analisou e constatou que a universidade não carece de alunos negros e sim de alunos de escola pública (novidade: os socialmente desfavorecidos), onde é o foco central do problema da educação. Eu, como desde sempre, estudante de escola pública posso atestar com veemência que o problema é um buraco enorme — e olhe que o colégio em que estudei é até melhorzinho que escolas públicas regulares, por estar sob a gestão da Polícia Militar.

Então, a UFMG, esse ano, incluiu no seu vestibular, ao invés das costas, bônus para alunos de escolas públicas e para negros e pardos. Claro, há condições: os alunos de escola pública devem ter estudado desde a 5ª série do Ensino Fundamental para ter 10% de bônus; e quem se autodeclare negro ou pardo (e só aqueles já benfeciados como alunos de escola pública) acrescenta-se 5%, somando 15% de bônus nas notas de 1ª e 2ª Etapa cada.

É óbvio que não incentivo, de forma alguma, essa medida paliativa do governo de transportar o problema de haver grupos excluídos da vida acadêmica para as universidades (o que é a conseqüência), quando a causa é o ensino público (segunda novidade: no Brasil, gostamos de trabalhar com as conseqüências, elas dão maior lucro); mas dos males o menor. A UFMG pelo menos abordou, no seu sistema de bônus, a raiz do problema e não transformou esse sistema em um agravante futuro, que de novo, na história do BR, só sucateia as universidades públicas.

Anexos:
- Haverá cotas na UFMG?;
- UFMG descarta cotas para negros.

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"Plus quinze por cento" foi publicado em 05/08/08 às 9:05 pm por Léo Ruas sob a(s) categoria(s) do cenário. Você pode acompanhar as respostas relativas ao texto por meio do RSS 2.0 feed.
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    Comentários

    Quando eu fiz vestibular (há 4 anos, ow coisa velha) não tinha essa história de cotas, além de que eu estudo em particular, nunca tentei pública porque o curso que faço aqui em SC é melhor na universidade em que estudo.
    Sempre fui contra, mas nunca imaginei que um dia isso ia me atingir porque também nunca imaginei que fosse fazer vestibular de novo. Agora pense vc também no meu desespero de formanda, sem fazer cursinho, há 4 anos longe de história, geografia, matemática, literatura e física e com essas malditas cotas, pqp!
    Esse jeito das cotas que vc descreveu aí da UFMG até que é menos revoltante. Mas cotas para negros na UFSC??? Cara, parece piada!
    Bom, antes de me preocupar com as cotas preciso convencer meus pais a me deixarem fazer outra faculdade e não o mestrado que eles preferem que eu faça. ¬¬


    Vou tentar me declarar parda (e ser xingada, obviamente, porque de parda não tenho nada, a menos que faça bronzeamento artificial nos 4 meses que me restam.


    no curso q eu quero fazer tem 30 vagas, 8 sao para pessoas de escolas publicas, 8 para negros/pardos e as outras 14 sao para o resto! ou seja, pessoas que estudaram a vida inteira em colegio particular. entao eu q fiz so o ultimo ano num colegio particular, me ferrei bonito!!! ¬¬
    fazer o que ne?


    Eu sempre achei cotas problemáticas, a de negros então, eu não consigo entender o motivo delas existirem.
    Esse sistema da UFMG até que não é tão revoltante quanto de algumas outras universidades.
    Abraços.


    Hum… Cotas no geral são um problema na minha opinião. Porque com elas o governo fica meio com um ar de "Pronto! Resolvemos o problema", e ignora o principal: A educação pública neste país está uma porcaria e deveria melhorar muito.


    Primeiramente vamos voltar pra época da escravidão
    ….depois que assinaram a abolição da escravidão no Brasil, pensamos….eeeeeeee…negros livres^^…..
    ERRADO…não foi em assim q aconteceu….imaginem um monte de negros longe de suas terras sem educação, sem lugar pra morar, sem $$ e etc.
    Desde aquela época que os negros começaram atras nesta "corrida"…que se extende até hoje…..
    Proceguindo…..as cotas fazem parte de ações afirmativas…..O que são ações afirmativas???
    São medidas tomadas a favor de um grupo que em algum momento da história foi desfavorecido(escravidão??)….
    Vamos esclarecer…..quando um curso tem 30 vagas e 16 são para cotistas….todos os que se declaram cotistas(Ex :2000 candidatos cotistas) esses 2000 vão disputar APENAS as 16 vagas e não todas as 30.
    Quando um faculdade desponibiliza vagas pra cotistas….provavelmente ela aumentou o número de vagas no curso…que no caso…deviam ser apenas 14 vagas.
    A verdade por tras das cotas, alem do governo poder falar "resolvi o problema" , é que possibilita a entrada de pessoas MENOS favorecidas a um curso de nível superior.
    Resultando em um aumento de sua qualidade de vida…..que se reflete em seus descendentes, que não precisariam de cotas.
    Agora eu li uns post bem egoitas acima……
    se um candidato estudo a VIDA toda em escolas particulares, ele não deveria temer os cotistas……pelo amor de Deus.
    E a menina q vai se bronzear e se declarar parda…..sem comentários¬¬
    È incrível como o pessoal q eh contra as cotas tem SEMPRE os mesmos argumentos….não se dão nem ao trabalho de ler sobre o assunto…..
    Sempre pensando no próprio pé.

    De qualquer modo, espero ter esclarecido algumas dúvidas.


    Léo, Léo… Se você se candidatar, eu voto em você, héin?
    Gostei do seu protesto e do seu ponto de vista, também, porque concordo com ele. Não acho certo o governo impor cotas a "menos" favorecidos as universidades. Ele deveria promover uma educação justa e boa para todos seus alunos e que cada um faça sua história.
    É o mal do governo brasileiro - e não me refiro só ao Sr. Lulalá - de dar o peixe e não ensinar a pescar.
    Bjitos!


    isso é só uma tentativa de melhorar os números. "tantos por cento dos alunos das universidades públicas brasileiras são negros ou pobres", que bonito, que demagogo. ridículo e injusto com todo mundo, tanto com quem se inclui na cota quanto com quem fica fora dela. a única forma decente de melhorar o acesso à universidade pra alunos de escola pública é melhorando a educação fundamental, óbvio. daí quando o cristóvão buarque manda uma proposta de melhoria da educação só uns 10% dos eleitores votam nele.

    ser coitado é bonito no brasil, e esse é o maior mal desse país. não é a pobreza nem a má divisão de renda que faz a gente continuar sendo de terceiro mundo, a questão não é econômica, é cultural. é bonito ser coitado no brasil, as pessoas adoram que os outros sintam pena delas e ajudem com esses programas populistas tipo as cotas pra universidade (além de bolsa familia, bolsa escola e outras mil bolsas)


    @Rômulo , não acredito que havia alguma dúvida, mas seu ponto de vista tem lá suas afirmativas verdadeiras. O que vejo como errado é que, mesmo com cotas, essas pessoas entrarão na universidade sem base que devia se esperar de um universitário, logo a qualidade da universidade (uma das poucas instituições públicas tida como ótima em senso comum) irá cair. E, mais: se há cotas para os pais, por que não para os filhos e descendentes? Será mesmo que iria acontecer de os filhos não mais precisarem, quando há um círculo vicioso, em que a escola pública não cumpre com o seu papel?

    @Maria Thereza, não acredito que o coitado compartilha do seu ponto de vista, não. Ele gosta de ser pobre e ser sem instrução? Eu talvez esteja sendo idealista, mas acredito que o pobre utiliza dessas "bolsas esmolas" como um complemento no seu salário e dessas cotas como forma de mobilidade social. Porque querendo ou não, diminuindo a qualidade da universidade ou não, o que ele aprenderá lá com certeza vai fazer diferença na sua vida e na sua renda. Acho também que é necessário melhorar efetivamente o ensino público, mas num vejo o pior nas cotas, se elas não fossem uma política permanente de adiar o problema, aliás, agravá-lo.


    @Rômulo logico que as pessoas que tiveram uma boa base nao temem o vestibular (coisa que eu nao tive) mas como o Leo disse, o "problema" sao as pessoas que sao aprovadas por cotas… se for ver as notas dessas pessoas (o que eu ja fiz) voce ve que sao muito inferiores a do restante. sera que elas estao preparadas pra entrarem num curso superior? e sera que cotas sao um modo de indenizar essas pessoas? eu acho que nao!

    claro q a culpa nao é delas. so estao aproveitando um beneficio dado pelo governo. so acho o cumulo os nossos representantes terem uma ideia de girino dessas.

    mas isso é tipicamente brasileiro.. tenta tapar o sol com a peneira!


    opa
    como o Leo disse nao!
    como a Maria Thereza disse…


    @Rômulo 21 anos: egoísta é escrever "proceguindo" e achar que tem direito a entrar numa universidade só porque estudou em escola pública. o esforço vai de cada um, não é porque estuda em escola pública ou particular que vai se dar bem. quem senta e estuda pra passar é você, não é a sua escola. se a escola não dá a base necessária, pega livros. tem muita biblioteca pública onde você pode pegar livros sem pagar nada. pobreza (e muito menos raça) não é desculpa pra burrice.


    @Maria Thereza: Concordo contigo no erro hauahauaha
    Mas esse caso de as pessoas conseguirem entrar na universidade estudando por conta própria são exceções. Com certeza, exemplo a ser seguido. Porém, a idéia da política pública deveria ser igualar as possibilidades entre as pessoas. Então, se uma pessoa possui direito a uma instrução mais elaborada, outra também tem esse direito, partindo de príncipios da DUCH (o papel mais inútil da História, né?).
    Mas é isso: devia haver um educação fundamental boa e unificada e vagas pra todos na universidade.


    Sei lá, mas não concordo muito com esse lance de cotas.
    Quer dizer, na minha opinião, só aumenta o preconceito.

    Mas as cotas também ajudam muita gente, uma questão para ser pensada…
    =/


    Obviamente, cotas e porcentagens a mais para candidatos de escolas públicas são necessárias. Primeiro, independente de cota ou não, para um candidato ingressar na federal não será fácil, ele realmente tem que estar preparado. Segundo, para aqueles que possuem pais que podem BANCAR uma faculdade particular, seria injusto ocuparem uma vaga de quem não possui renda. Portanto, um candidato, independente de ser branco ou negro, simplesmente, por não ter renda (e se deduz que aquele que estudou em escola pública não tem), tem sim que ter uma vantagem à frente de um outro candidato, o qual teve escolinha particular paga, que teve cursinho preparatório pago, que estudou perto de casa, que teve transporte garantido (ou seja, aquele que teve uma babá: os filhinhos de papai ) e etc.A UFMG é PÚBLICA, então que venha os alunos das escolas PÚBLICAS. É justo.Outra, para aquele que falou que no Brasil ser coitado é bonito e que este programa é populista : Não lembro de ter visto em geografia, na história e no cotidiano (ou seja na vida real e não em um filmezinho dos “states”, ou novela global) que o mal do país é cultural. A nossa cultura é enorme e marcante.É rica (claro , excetuando a do burguês) Temos que deixarmos de sermos ridículos, ficar nos baseando nestas estrangeirices e ficar "babando o ovo" do "tio sam". O problema é na distribuição de renda, o problema são as pessoas que acham que podem comprar tudo com o seu dinheirinho. Algumas acham que podem comprar até mesmo a dignidade dos socialmente excluídos.Sabe o que é ser coitado? É ser um idiota, um imbecil que nada da vida conhece, o qual sempre ganhou tudo na mão , e achar que, pelo fato de ter dinheiro, carro do ano e uma cobertura, é melhor do que aqueles que tem menos. Reflitam: o importante não é o TER é sim o SER.Por isso, digo que não é populismo, e sim repartir o pão.Por fim, creio que a maioria dos candidatos das escolas públicas, do povão mesmo, não iriam precisar destas "porcentagens", pois "tomariam" as vagas dos mais providos de qualquer forma, pois uma coisa é certa: um aluno de escola pública é muito mais dedicado (e para aquele que falou que são poucos que passam estudando sozinhos em casa, concordo, pois isso é um dom para poucos: chama-se autodidatismo) .Contudo, isto veio a calhar, pois vai equilibrar o jogo, e como eu disse: faculdade pública é para alunos de escolas públicas, pois, se os riquinhos acham que o ensino público é para a ralé, o que eles querem fazer na UFMG?.É auspicioso ver que ainda há um resquício de democracia. Bom, e para aqueles que gostam de serem OS RIDÍCULOS, a ponto de usarem o comentários típicos de burguês ( “ fulano escreveu errado” ou “vai aprender a escrever” e etc ) : Ninguém neste país escreve certo, até mesmo um advogado ou um professor escreve errado ( e mesmo os “imortais”). Demagogia é tentar corrigir os outros na internet, pura demonstração de imaturidade e ignorância. E se eu escrevi errado, que se dane, não venham (para os “filhos de papai”) encher o meu saco, vão mexer nos seus ORKUTZINHOs.


    @Ander: você fala de democracia mas segrega quem possui renda superior, e acultura dele, a sua e você mesmo. Não há repartição de que universidade particular é para ricos e pública para pobres, não. O Estado oferece educação para todos! Oferece educação falha mas todos possuem direito a ela.
    O problema do Brasil é cultural, demográfico, de renda, entre outros. É cultural porque a população possui uma tolerância bovina em relação a tudo. Não é à toa que, além de deixarem a escola pública se tornar o que é, estão deixando acabarem com as universidades que são as únicas instituições públicas que funcionam bem.
    As cotas ajudam as pessoas, mas piora a qualidade do profissional formado na universidade. No mercado, por exemplo, ele pode ser segregado por já vir marcado como cotista e pode talvez se deduzir que é mau profissional. A questão num é tão superficial assim, não…


    Pois é, sempre a mesma história: a queda na qualidade do ensino superior. Mas da mesma forma que eu não acredito em papai noel, sou radicalmente contra esta nova lenda urbana. É um absurdo afirmar que quinze por cento de bônus nas notas de estudantes oriundos de escolas públicas irá influenciar na qualidade da federal. Se alguém defende isso, prove com dados concretos e de maneira racional. Afinal, será que um aluno que tirou 45/60 em uma prova é um ser iluminado, dono da razão em relação ao que obteve 40/60 ? Note que se for adicionado os quinze por cento à nota menor, o novo valor sera: 46/60. Nossa!, é o "fim" da federal, esta INCRÍVEL nota fará que a qualidade mental do novo aluno seja infinitamente "inferior", incompatível com os alunos que atualmente ocupam as "fileiras" da ufmg. Me poupe, temos que parar de repetir o que os outros falam, sem possuir nenhum conhecimento de causa.Entendam: não é só conhecer a matéria que beneficia em concursos ou vestibulares. Nota não quer dizer nada em relação as aptidões mentais. Aquele que tirou uma nota maior não é necessariamente mais inteligente ou o mais preparado. Alguem pode passar com uma nota maior que de outro e ter simplemente "chutado".
    Outra coisa, em relação a essa conjectura que povo é tolerante a tudo, no dia em que o povo for realmente orientado, da forma certa, e for privado de seu ópio (influência da mídia, subcultura estadunidense e etc ) , teremos acontecimentos análogos aos de 1789 (França) e 1917 ( Rússia), ou seja, aqueles que tem não terão mais. Então pergunto: isso é bom para todos?


    @Ander: é exatamente por isso que me referi a cotas e não a só a bonificação da UFMG. E vai sim piorar, porque uma pessoa pode possuir outras aptidões, mas o nível dela com certeza vai ser menor que os outros. A pessoa que chutou e passou é a excessão não a regra.
    Eu acredito sim que não haja diferença entre as pessoas, todas possuem o mesmo potencial, mas uns estudam mais e outras menos. É mesmo por isso que sou optante pelos 15% no vestibular da UFMG.

    Sinceramente, você precisa de maior embasamento histórico para falar isso aí. Afinal, a Revolução Francesa foi liderada pelos burgueses que possuíam poder econômico e não político e foi durante todo o tempo uma guerra civil. A Revolução Russa também foi uma guerra civil, mas foi uma luta contra a exploração exacerbada que acontecia na Rússia e países por ela influenciados. São situações diferentes que merecem abordagens diferentes.

    E é: o brasileiro tem sim tolerância bovina, porque tá esperando que alguém a lidere, como você disse.

    E aliás, eu sou reprodutor do que me é ensinado — com orgulho até — e você é então especialista no assunto de cotas?


    

    Léo Ruas estudante- vestibulando, residente de Beagá, dezoito anos, vagabundando por aí. meadiciona >>>>

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