Adjetivas explicativas, um sentimento brasileiro

arquivado em: estórias&histórias  

Ontem no Jornal Nacional, uma notícia em particular me chamou a atenção. Um cara roubou um carro na frente do bar, mas então viu um garoto dormindo no banco de trás. Ligou para a polícia e avisou que ele, o ladrão, havia roubado o carro, porém não sabia que o "piázinho" estava no banco de trás.

“Seguinte: eu vou ser bem sincero pra ti. Eu roubei um carro agora. Eu peguei o carro e tinha uma criança dentro. E eu não vi, entendeu? Você manda uma viatura lá e manda o pai dele pegá-lo e levá-lo para casa. É um piazinho”

Hey, vamo que eu quero só carro. Seqüestro é coisa de bandido.

Hey, vamo que eu quero só carro. Seqüestro é coisa de bandido.

Há uma necessidade explícita no ato dele de explicar que roubou o carro mas não havia visto o garoto, provavelmente porque queria explicar que sua intenção não era de seqüestrar o menino. E isso não o redime da culpa de seqüestro. Bem como não redime a culpa dos pais de terem deixado o menor dentro do carro.

Entretanto a situação é esta: o brasileiro sempre explica seus atos. O ladrão, mesmo que tenha roubado intencionalmente, quis explicar que não havia visto o garoto, quando não precisaria se explicar. Está certo que ele talvez quisesse escapar da culpa de seqüestro; porém, nós mesmos contidianamente achamos, inventamos e distorcemos para dar uma desculpa aceitável para um atraso, para ter perdido a consulta do dentista — quando na verdade estava era com preguiça de se deslocar até o centro.

Os motivos do ladrão poderiam não ser dos mais nobres, contudo ainda uma tentativa de amenizar. Para nós, cidadãos (ou não), é só um pretextos para dizer que não somos tão "filhos da puta" mas mais "gente boa".

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"Adjetivas explicativas, um sentimento brasileiro" foi publicado em 18/09/08 às 3:00 pm por Léo Ruas sob a(s) categoria(s) estórias&histórias. Você pode acompanhar as respostas relativas ao texto por meio do RSS 2.0 feed.
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Comentários

Hum… Talvez na verdade, ele tenha pensado: Putz, a pena por sequestro é maior que a de roubo!

Ou talvez ele tenha achado: Droga, se eu ficar com o guri, vou ter que cuidar do infeliz.

Ou talvez: Puxa vida, se eu largar ele aqui, vai saber o que vão fazer comigo se o menino não conseguir votlar pra casa.

Ou sei lá o que. Quem sabe?


Eu não assisti jornal ontem, mas o pessoal comentou sobre isso hoje.
Acho que é isso mesmo. Nós sempre tentamos amenizar as situações, e essa foi a forma dele.
Não precisava ligar para a polícia avisando, bastava deixar em algum lugar perto a criança, mas acho que algum sentimento "nobre" foi mais forte.
Beijos com carinho =*


Tem cada coisa que a gente vê nesse país que fica até difícil de acreditar que acontece.
Bjitos!


'hey'?
que tipo de assaltante fala isso? ¬¬


pelo menos avisou, ele podia ter largado a criança sozinha em qualquer lugar deserto. na inglaterra já tem ladrão roubando carteira, tirando todo o dinheiro de dentro e jogando a carteira em caixa de correio pra devolver os documentos da pessoa. gente fina pra caralho (ironia ok).


@rayana: provalmente o mesmo que liga pra avisar que roubou/seqüestrou haha


Pelo menos não somos tão filhos da puta assim.
Fiquei bem surpresa com essa notícia. Não dá para saber se o ladrão foi louco em assumir o roubo e evitar a acusação do sequestro ou se ficou tão surpreso a ponto de fazer isso.
Só sei que me surpreendeu.




Léo Ruas estudante- vestibulando, residente de Beagá, dezoito anos, vagabundando por aí. meadiciona >>>>

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